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Dívidas e acordos

Planejamento: como transformar as dívidas num plano de recomeço

Monte um plano para quitar as dívidas com renda de diária: em que ordem pagar, quanto separar por mês, um exemplo com contas e como não voltar a dever.

Por Redação Faxina nas ContasAtualizado em 5 min de leituraNível intermediário

Neste guia, em ordem (7 partes)
  1. Descubra o seu teto de parcela
  2. Em que ordem pagar
  3. Exemplo de plano, com a conta
  4. O plano precisa de uma folga
  5. Quando as dívidas não cabem em plano nenhum
  6. Como não voltar a dever
  7. Próximos passos

Se você ainda não listou o que deve, comece pelo guia 5 passos para sair do vermelho. Este artigo parte da lista pronta.

Descubra o seu teto de parcela

O teto é o valor máximo que pode ir para dívidas todo mês sem faltar comida, luz ou passagem. A conta é simples:

  1. veja o pior mês de renda dos últimos seis;
  2. some as despesas essenciais (moradia, luz, água, gás, comida, transporte, remédio, INSS);
  3. subtraia: o que sobra é o teto.

O guia orçamento com renda que muda todo mês mostra como achar o pior mês. Use esse número, e não a média, porque o plano precisa sobreviver ao mês ruim.

Se o resultado der zero ou negativo, o plano ainda não é de negociação. É de corte de gastos e de busca de mais renda. Fechar acordo sem sobra é marcar a data do próximo atraso.

Em que ordem pagar

Nem toda dívida pesa igual. Uma ordem que costuma funcionar:

  1. Contas essenciais em atraso. Luz, água e aluguel atrasados podem levar a corte ou despejo e afetam a casa toda.
  2. Dívidas com garantia. Financiamento em que um bem (moto, carro, casa) fica como garantia pode levar à perda do bem. Se ele é seu instrumento de trabalho, a prioridade sobe.
  3. Dívidas de juros mais altos. Rotativo do cartão e cheque especial costumam crescer muito rápido. Quanto mais tempo ficam, mais caras ficam.
  4. Demais dívidas. Carnês de loja, empréstimos com juros menores, contas antigas.

Para saber qual tem juros mais altos, olhe o contrato, a fatura ou peça ao credor a taxa de juros e o Custo Efetivo Total (CET), que é o custo do crédito com juros, tarifas e impostos juntos. O Código de Defesa do Consumidor garante o direito a essa informação.

Um cuidado: não troque uma dívida barata por uma cara. Pegar empréstimo com juros altos para pagar uma conta de juros baixos só aumenta o total.

Exemplo de plano, com a conta

Imagine uma diarista que cobra R$ 150 por dia. Os números abaixo são hipotéticos e redondos.

  • pior mês de renda: R$ 2.400;
  • despesas essenciais: R$ 2.000;
  • teto de parcela: R$ 400.

Ela deve:

Dívida Situação Prioridade
Conta de luz 2 meses em atraso, R$ 300 1ª
Cartão de crédito Rotativo, R$ 2.000 2ª
Carnê de loja R$ 900 3ª

O plano dela fica assim:

  • Meses 1 e 2: R$ 150 por mês para a luz, que a distribuidora aceitou parcelar. Sobram R$ 250 do teto: R$ 100 vão para a reserva e R$ 150 ficam guardados para a próxima negociação.
  • Mês 3: com a luz quitada e R$ 300 juntados, ela negocia o cartão. Consegue uma proposta que cabe em parcelas de R$ 250. Os outros R$ 150 do teto vão para a reserva.
  • Depois que o cartão acabar: os R$ 250 passam para o carnê da loja.

Ela não negocia tudo de uma vez. Cada dívida quitada libera espaço para a próxima. É mais lento, mas ela não assume parcela que não aguenta.

Para comparar propostas, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, ajuda a ver quanto um parcelamento custa no total. Lembre: a soma das parcelas é o que você paga de verdade, não o valor de cada uma.

O plano precisa de uma folga

Com renda que varia, algum mês vai vir abaixo do esperado. Por isso o plano reserva uma parte do teto para formar um colchão, mesmo enquanto paga as dívidas. Sem ele, o primeiro mês fraco derruba o acordo.

O guia reserva para o mês fraco mostra como começar com pouco. Nos meses bons, a diferença acima do pior mês pode ir metade para a reserva e metade para adiantar parcelas. Pelo CDC, quem antecipa o pagamento de um crédito tem direito à redução proporcional dos juros; peça o cálculo ao credor.

Quando as dívidas não cabem em plano nenhum

Às vezes, mesmo cortando tudo, a soma das dívidas não cabe na renda. Isso tem nome: superendividamento.

A Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, mudou o Código de Defesa do Consumidor para tratar desse caso. Ela fala em preservar o mínimo existencial, que é o mínimo para a pessoa viver, e prevê que o consumidor de boa-fé peça a repactuação das dívidas de consumo, reunindo os credores para montar um plano de pagamento. Nem toda dívida entra (por exemplo, há regras próprias para financiamento com garantia e crédito imobiliário), e o pedido segue um rito próprio. O guia renegociação de dívidas: regras que protegem o consumidor explica com mais calma. Para saber como pedir, procure o Procon ou a Defensoria Pública da sua cidade.

Como não voltar a dever

Quitar é metade do caminho. A outra metade é não repetir. Algumas regras práticas:

  • mantenha o caderno de entradas e saídas mesmo depois de pagar tudo;
  • não use o limite do cheque especial como se fosse renda;
  • antes de parcelar uma compra, some a parcela nova às que já existem e confira se cabe no pior mês;
  • registre cada diária com recibo; isso também ajuda a comprovar renda sem carteira quando precisar.

Próximos passos

  1. Calcule hoje o seu teto de parcela pelo pior mês de renda.
  2. Confira o que está no seu CPF pelo Registrato do Banco Central, pelo Serasa e pelo SPC, sempre pelo site ou app oficial digitado, nunca por link de mensagem. As consultas são grátis.
  3. Ordene suas dívidas: essenciais, com garantia, juros mais altos, demais.
  4. Antes de negociar a primeira, leia como negociar acordos com estratégia. Ninguém sério cobra taxa para negociar.
  5. Se o credor não informar o custo total ou cobrar de forma abusiva, registre reclamação no Consumidor.gov.br ou procure o Procon.
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Dúvidas que aparecem no serviço

Qual dívida pagar primeiro?
Antes de tudo, as contas da casa e do trabalho. Entre as dívidas, costuma fazer sentido priorizar as que têm juros mais altos, como rotativo do cartão e cheque especial, e as que têm um bem como garantia. Cada caso tem detalhes; confira o custo de cada uma antes de decidir.
Quanto da minha renda posso usar para pagar dívidas?
Não existe um número único. Faça a conta pelo pior mês de renda: tire as despesas essenciais e o que sobrar é o seu teto para parcelas. Se não sobra nada, o plano começa cortando gastos, não fazendo acordo.
E se as dívidas forem maiores do que consigo pagar?
A Lei do Superendividamento prevê que a pessoa de boa-fé possa pedir a repactuação das dívidas de consumo, com um plano de pagamento que preserve o mínimo para viver. Procure o Procon ou a Defensoria Pública da sua cidade para saber como pedir.

Onde conferir

Aviso. Este guia é educativo e não substitui o INSS, a Defensoria, um advogado ou um contador. Valores, prazos e regras mudam; confira sempre na fonte oficial antes de decidir. O Faxina nas Contas não vende serviço, não intermedeia crédito e não recebe para indicar empresas. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Faxina nas Contas

Escrevemos a partir de lei, normas e páginas oficiais, em linguagem de quem está no serviço. Achou um erro ou uma regra que mudou? Avise a redação; corrigimos e anotamos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

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